Dia Internacional do Comissário de Vôo
Dia de luto e dia de luta para quem se apercebe da gravidade do momento, para quem cumpre o mandamento da solidariedade, para quem tem o pensamento voltado à sobrevivência de uma categoria que ora está sofrendo a inclemência de uma grave turbulência provocada por parte das companhias de aviação, dos seus diretores que não respeitam o aeronauta comissário, que o relega a uma classificação secundária, que o vilipendiam e não o classificam como aeronauta. Além desse desrespeito pelo comissário de vôo, esses mesmos diretores não respeitam o passageiro que é o alvo número UM de uma empresa aérea bem sucedida. Lamentável sob todos os aspectos e sem esquecer os comissários de vôo desempregados, despedaçados, roubados e lançados nas brumas do esquecimento: as reais vítimas desta tragédia VARIG e deste plano de previdência chamado AERUS. É dia de luto, é dia de luta e dia de ira diante das cinzas a que reduziram a Varig, Vasp e Transbrasil.
Enquanto isso, os não solidários, oriundos desta mesma tragédia, festejam, comem e bebem a própria desgraça, degustam o próprio insucesso e bebem aos goles, num ritual satânico, o sangue dos que sucumbiram vitimados por este mesmo drama, São os que olham para o "próprio umbigo" - frase sobejamente pronunciada pelo presidente da APRUS. O "olhar para o próprio umbigo" significa falta de solidariedade pelos desempregados, pelos reais perdedores de vultosas quantias que ainda alimentam estes inclementes comensais. Dessa gente ouvi frases como: "que a Varig se exploda, eu quero é o meu RICO dinheirinho!". Pela falta de esclarecimento, numa ausência patente de sabedoria e prudência, os seguidores desta senhora sindicalista, deste senhor da APRUS e companhia limitada, estão se afundando, se finando e também virando cinzas...
Estou do lado dos que estão de luto, dos que lutam, dos desempregados e dos que procuram minorar a dor da perda, dos que procuram a partilha e dos que clamam por justiça. Estou distante deste banquete dos insensatos que festejam o acúmulo de fome, morte e miséria provocado exatamente por inoperância e ausência de inteligência para alcançar a verdade dos fatos. De uma coisa tenho certeza: eles jamais dormirão com a consciência tranquila e jamais dormirão o sono dos justos e vitoriosos. Erguerão brindes aos próprios opressores: à senhora sindicalista, ao senhor da APRUS, à FENTAC, ao interventor do AERUS e a outros mais que riem à rédea solta por tamanha imbecilidade!
Carlos Lira
