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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Fatores Humanos e Atores Desumanos. Texto do Comissário Aposentado Varig Bolognese




FATORES HUMANOS & ATORES DESUMANOS

Prezados senhores/sras. ministros do STF, senadores, deputados, membros do executivo federal,

Viajando toda semana, os srs./sras. usam o transporte onde mais pesam os fatores humanos no que eles tem a ver com a segurança. Se a percepção dos senhores não ultrapassa a linha de como são bem ou mal atendidos, saibam que a complexidade e o perigo de voar, desaparecem pelo rigoroso cumprimento de protocolos operacionais, testados e aperfeiçoados ao longo do tempo e de tecnologia cada vez mais atualizada e colocada em uso. Mas isso de nada valeria se não fosse pelas pessoas, seres humanos que cumprem com suas responsabilidades assumidas, não só por serem rotineiramente testados, examinados e fiscalizados mas também...e muito mais por amor à própria vida e respeito pelas vidas dos outros. Ainda assim morre gente em acidentes aéreos? Claro, mas é verdade também que muitas dessas fatalidades são geradas a partir de salas refrigeradas e bem pregadas no chão, onde o fator humano está concentrado apenas em fazer dinheiro - ou política em interesse próprio.

É comum quando ocorre um "quase acidente", dizer-se que o piloto e a tripulação souberam preservar as vidas dos passageiros que estavam em suas mãos. Mas a rigor, esses profissionais estavam, embora no limite operacional, fazendo apenas o que deles se esperava. Na verdade, não é só a tripulação num caso desses, que atua na sobrevivência dessas pessoas. Todos aqueles envolvidos na atividade e que cumprem com suas obrigações, estão salvando vidas. É o papel deles, mas suas vidas e direitos dependem que outros também sejam responsáveis nos papéis que lhes cabem.

O que quero demonstrar é que não basta um profissional estar concentrado em seu ofício, se alguém remotamente o estiver sabotando, na atividade ou quando dela se afasta. Agora pensem as sras./srs. se invertessemos os papéis: profissionais de aviação, tratando o interesse alheio da mesma maneira como vem agindo toda a máquina administrativa do país, contra os interesses de uma comunidade inteira de trabalhadores e aposentados da aviação - nós, os variguianos. Não seria moralmente condenável a negligência de trabalhadores na aviação, fazendo pouco caso de seus passageiros (pagadores de seus salários) deixando-os perecer e ainda culpando as vítimas por sua desgraça? Se as viagens das sras./srs. devem começar e acabar em segurança, porque insistem em manter o vôo dos variguianos rumo ao desastre?

Quem não quer ser chamado à razão, dirá que não procede a comparação. Mas procede sim, por um único detalhe inerente a qualquer papel que nos caiba: A vida e os direitos daqueles que impactamos com nossos atos. O enfoque no fator humano não é só uma ferramenta otimizada para uso em atividades de alto risco como a aviação. Ele decorre do simples fato de sermos....humanos. Por sermos humanos, jamais controlamos individualmente todas as situações. Quem trabalha na aviação, pode muito bem dar conta de suas obrigações e sobreviver numa atividade perigosa. Mas continua a depender que o patrão seja honesto e pague o salário. Mais do que isso, precisa que o governo, o judiciário e o legislativo cumpram com o próprio papel na proteção dos direitos do trabalhador. E se chegar vivo à aposentadoria não pode, depois de ter atuado dentro de regulamentos, que se fossem violados poderiam até causar a morte de inocentes, ser submetido à humilhação de ter sua renda confiscada com legitimação pela "justiça". O caso Aerus destaca a falácia que são as instituições no Brasil.

No drama da justiça social, atuam de um lado trabalhadores sem direito a errar, sendo punidos até quando fazem a coisa certa e do outro, esses atores desumanos, que não carecem de competência, pois conhecem a lei, conhecem os direitos dos trabalhadores e aposentados Varig/Aerus, estão no poder e só não agem por má vontade e indiferença. É preciso então ir além da má vontade e da impunidade porque esta última quando prevalece, causa o grande mal que é a perda de referência dos parâmetros da justiça social.

José Carlos Bolognese
Comissário de Vôo aposentado
Varig/Aerus

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Texto do Comissário Aposentado Varig Bolognese para a HRF. Human Rights Foundation.

Mr. Thor Halvorssen

President & CEO

HRF - Human Rights Foundation,

Dear Sir,

I beguin with two of the fundamentals of HRF on your web page:


"We recognize the inalienable rights that protect the individual from arbitrary state and legal actions. "

"We stand for the possibility of fully democratic American states, limited by the rule of law, that honor and uphold individual rights."

Forgive me if I´m wrong, but I have not seen or read in your pages anything related to the specific rights of workers (except slave work) and saw no mention of elderly or retired people. I understand that your mission is to primarily fight human rights abuses in their main spectrum, i.e., political & police violence, abuses against children and women, as well as to foster freedom of speech and individual liberties in all its forms. But the case I hope you will embrace, is about circa ten thousand people now steadly moving towards below poverty line, an avoidable tragedy should the brazilian government listened to reason and took the appropriate measures to stop it. I should also mention that it is too late now for some 300 of us to benefit from any justice made so far.

Human rights are simple in its own concept. People is complicated and often cruel. But although they are simple things, its application is tough and the human rights violations have many ugly faces. One of these ugly faces that has befallen on us is that we, the former workers and retired personel of Varig Brazilian Airlines, are being denied our basic rights to survive. Many workers who lost their jobs with the demise of the airline remain unpaid to this day. The retired employees now mostly in their sixties, seventies and eighties, are seeing pensions grow smaller every month since april of 2006.

The United Nations Proclamation on Ageing notes that there is an unprecedented ageind of populations taking place througthout the world. The number of elderly men and women is also on the rise in Brazil, and so the need to respond to their changing needs, mostly health care.

But far from being a "A Society of All Ages" as stated by the UN Secretary General, Brazil allows hard working people to be humiliated and be denied the resources they saved for retirement. These workers who contributed for many years of their active labor to a private pension fund are now being paid only 8% or less of their pensions in a clear violation to their original contracts, making us, former and retired employees of Varig Airlines, part of the most vulnerable groups in the nowadays brazilian society.

So we beg you to help us convince the brazilian government to recognize and protect our inalienable and individual rights as people who actually paid to retire with dignity. Brazil is a fully democratic american state although individual rights, as in the case of Varig Airlines´former workers here, are not being honoured or upheld.

Please, on our behalf, have your say on this matter to the Brazilian Authorities.

Yours Gratefully,
José Carlos Bolognese
Flight attendant (retired)
Varig Brazilian Airlines