quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Mais um apelo dramático para que o Supremo decida logo o processo da VARIG, que se arrasta há vários anos, sem ser julgado. Rubens de Freitas. Jornal Tribuna da Imprensa Online.

quinta-feira, 09 de fevereiro de 2012 | 11:00

Mais um apelo dramático para que o Supremo decida logo o processo da Varig, que se arrasta há vários anos, sem ser julgado

Rubens de Freitas



Excelentíssima Ministra Carmen Lúcia,
Tenho plena consciência que representa uma verdadeira ousadia lhe escrever esse e-mail. Afinal não é ousadia um velho aposentado, que não representa nada para o país, escrever para uma Ministra do Supremo Tribunal Federal?
Para explicar tamanho ato de desatino vou resumir o motivo deste: Trabalhei a vida inteira na Varig. Desde a criação do Instituto AERUS, fundo de pensão da empresa, contribui com muito sacrifício com uma elevada mensalidade para este fundo, visando uma aposentadoria tranquila e sem sobressaltos. O destino me pregou uma peça, conduzindo-me a uma aposentadoria por invalidez (não vale a pena entrar em detalhes, pois ocuparia muito tempo). Recebi total assistência da Varig e do Aerus, que passou a me proporcionar os benefícios da aposentadoria complementar.
Porém o mesmo destino que me pregou a peça que mencionei resolveu aplicar um castigo não só a mim, mas a milhares de cidadãos brasileiros, no ano de 2006, levando a Varig e o Aerus à falência. Cerca de 20 mil famílias ficaram desesperadas com a situação, pois o Aerus foi gradativamente reduzindo os valores dos benefícios, chegando hoje a pagar apenas 8 por cento do que deveria. Foi o caos completo.
Desde a liquidação do fundo houve 627 mortes, sendo 4 por suicídio. Além disso, os aposentados entraram num processo de decadência de saúde. Muitos estão com depressão, hipertensão, diabetes, cardiopatia etc. A situação é desesperadora, pois hoje esses trabalhadores, que deram suor e sangue pelo país, não dispõem de recursos para pagar aluguel, alimentação, remédios, plano de saúde, etc.
No meu caso tive que me desfazer de tudo o que adquiri ao longo de uma vida de trabalho. Para agravar enormemente a situação, os recursos obtidos através da venda de meus bens terminam em junho. Depois disso, não saberei o que fazer. Como vou viver, pagar aluguel, adquirir os remédios que necessito, me alimentar, pagar um plano de saúde? Não terei mais como fazer isso. Como vou suportar uma situação tão desesperadora? Vou ter que morar nas ruas, dependendo da ajuda de pessoas que nem conheço?
Não, Ministra, não suportarei tamanho peso. Se realmente minha vida chegar a esse ponto não me restará outra alternativa a não ser uma atitude EXTREMA. SE NÃO TENHO DIREITO A UMA VIDA DIGNA, DESTA VIDA ME LIVRAREI.
Ministra Carmen Lúcia, venho fazer um derradeiro apelo a V.Excia. As vidas de 8 mil pessoas estão em vossas mãos. Esses cidadãos dependem do julgamento da ação de Defasagem Tarifária, que se encontra aos vossos cuidados. Caso o STF seja a favor da Varig, essas pessoas serão salvas, terão suas vidas de volta.
Uma das principais causas da degradação do homem é a perda da sensibilidade para com o sofrimento humano. Digníssima Ministra, é para vossa sensibilidade que venho apelar, para o vosso sentimento humano, para o vosso coração. Não permita que tantas famílias sejam destruídas, que tantos lares sejam destroçados.
São cidadãos brasileiros, todos com idade avançada, no ocaso de suas vidas, que hoje estão dependendo da boa vontade e do sentido de justiça dos Ministros do STF. Nossas vidas estão em vossas mãos. Dependemos de Vossas Excelências para termos direito a VIVER. É só isso que queremos.
Agradeço do fundo deste velho e cansado coração, na esperança que Deus ilumine os Ministros do Supremo Tribunal Federal, conduzindo-os a um resultado favorável no julgamento do nosso processo.

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