terça-feira, 18 de maio de 2010

Carta para o Ministro da AGU escrita pelo Comissário Aposentado Varig Carlos Edmundo.

Excelentíssimo Ministro Chefe da AGU
Sr. Luiz Inácio Lucena Adams

Eis-me aqui, falando de vidas, dívidas, doenças, falando sozinho com a
companheira morte. Estamos quase íntimos, pois no andar da caminhada,
não se vislumbra maiores opções.
Mirando o ontem, que nefasto declínio.
Natural é a morte!
O que não é natural, é o rumo, o tipo de vida cretina que nos envolve.
Nosso apogeu foi ontem. Mas, precavidos, décadas deduzimos uma fatia
dos nossos proventos para o Fundo de Pensão AERUS, para que agora,
neste limiar nossa dignidade estivesse intacta.
No entanto, estamos feitos bolinha de ping-pong. Zonzos, esgotados e
amassados. Por mãos poderosas, interesses escusos, mentes doutas, e de
onde deverá surgir a última palavra para definitivamente encerrar este
"imbróglio".
Habitamos no corredor da morte. Mas no Brasil não há pena de morte. Há
sim, asseguro que há, pois cada dia que se vai, o garrote está mais
próximo. Todo santo dia, avançamos um passo a mais para este ato vil.
Uma legião de idosos, anciãos, enfartados, cadeirantes e terminais.
Que inglório desfecho para vidas que foram dinâmicas, objetivas,
sempre numa proa segura e profissional.
Os meandros das leis. As interpretações, visão de cada
julgador. Estamos á mercê de Portarias e Alíneas.
Nosso julgamento é, sobretudo humano. DE VIDAS. O bem maior, mas este está esquecido e perdido nos autos, relegadas a um detalhe menor do
processo.
Somos realmente filhos desta Pátria?
Tenho direito em crer na Magna Carta?
No Estatuto dos idosos?
Poderei passar aos meus filhos exemplos, que viver no Brasil, apesar
de tudo, ainda é merecedor?
Vejo minha família sem viço. Desbotada. Culpa deles? Não, não, minha
que já não possui graça e é plena de amarguras?
Meu irmão de coração, meu competente checador, partiu após 35 anos de
vôo, fica um imenso vazio na terra e na alma, e pior, nem conseguiu
aguardar este final, pelo qual tanto lutou.
Senhor Ministro - somos milhares de aposentados do AERUS, fatigados e
indignados.
Não temos cabedal para julgamentos. Atos de terceiros, tramas e
conspirações. Temos sim, plena ciência de nossas realidades desumanas.
Inocentes jogados na arena sem nenhum pejo.
Me sinto mais confortável em me dirigir ao Senhor, pois também
caminhei pelos corredores da URGS e da UNIVALLE.
Estou diante do Ministro Chefe da AGU, mas sobretudo, de um ser humano.
Não estou rogando clemência nem desacertos.
Estou clamando por Justiça. Milhares de pessoas, por décadas
depositaram parte dos seus salários no AERUS, supervisionado pelo
Governo, a garantia Formal, a fim de obter um rendimento mensal, pós
atividade profissional e, no entanto, hoje vivemos a conta-gotas.
Nossa VARIG foi para o espaço, orgulho Rio Grandense, mas nós ficamos.
Ainda necessitamos de pão, água, dignidade e direitos restabelecidos.

" A advocacia Pública, no seu aperfeiçoamento, na Busca de Soluções,
Num crescente esforço de conciliação. Laboratório de inigualável
importância, uma harmonização jurídica destas tarefas " palavras
pinçadas do vosso discurso, quando da Posse como Ministro da Advocacia
Geral da União, me fez vislumbrar uma esperança, que confesso, já
estava submersa..........

Dia desses, conversando com um comandante aposentado do AERUS,
manifestou seu pesar, que nas suas gavetas repousam medalhas ao Mérito
Santos Dumont" e " Medalha do Pacificador ", cartas e agradecimentos
governamentais por relevantes serviços prestados à Pátria e no entanto
necessita permanecer na fila do SUS para um atendimento. Deprimente.
Sua vontade é devolver à Pátria suas honrarias.
O que dizer das viúvas dependentes? Algumas sem receber absolutamente nenhum provento.
Dos milhares de trabalhadores da ativa, que anos descontaram para o
AERUS, e até hoje nem receberam seus salários, férias, FGTS. Direitos
básicos,
Caótico o quadro. Verdadeira crise social. Todos desamparados,
efetivamente abandonados. Um petardo generalizado, sem ser de nossa
responsabilidade.

Necessitamos ultrapassar este Patamar. O Acordo é urgentemente necessário.
Rogo Vossa consideração por um Olhar Novo neste amplo processo.
Um entendimento que possa ser razoável, sensato a todos os envolvidos.
E há condições para isso.
Faço exemplo do nosso Presidente que está no Iran, tentando
exaustivamente costurar um acordo internacional que possa harmonizar
antagonismos.
O tempo está escapulindo, a vida não espera.
Nossa faixa etária não permite mais preliminares.

Respeitosamente,
Carlos Edmundo Matzenbacher
Ex - Comissário de vôo da Varig
Aposentado Aerus – Joinville SC

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