domingo, 20 de junho de 2010

A UNIÃO EM TORNO DE UMA MIRAGEM. Texto do comissário aposentado Varig Jim Pereira. Causa Aerus Varig

A união em torno de uma miragem


Por que será que TODOS os e-mails que me chegam aos olhos, trombeteiam a UNIÃO, SEMPRE e SÓ a UNIÃO em torno do auto-extinto SNA?
Não costumo fulanizar lutas. Nada tenho contra a pessoa da afastada presidente do SNA; nada tenho contra a pessoa do ‘interinado’ presidente, pelo contrário, pessoalmente sempre me tratou muito bem. E politicamente também, quando ambos militávamos nas associações profissionais da finada.
Por que não se unir em torno de outros movimentos, organizações, até pessoas, se assim for o entendimento da maioria?
O SNA já era. Só conseguirá ressuscitar se viver uma revolução interna. Por exemplo, eleições gerais, amplas e irrestritas: para eleger um Conselho Diretor que redigiria um novo estatuto sindical. Um estatuto moderno, enxuto e, sobretudo, que resgate o valor do voto de cada associado. Isto é, que sepulte definitivamente o arremedo de parlamentarismo e o “confusionismo” presidencialista. (Presidencialista mais por culpa da cultura nacional do que estatutária.). Existem “diretores” que foram eleitos com um total de votos que os desautorizaria a integrar um corpo diretivo de qualquer espécie ou fim. Por exemplo, quantos votos teve o atual secretário-geral?
Continuando, esse Conselho Diretor, eleito ad hoc, além da redação dos (novos) estatutos organizaria, após a aprovação daqueles, uma nova eleição. Como em qualquer sindicato: chapa contra chapa. Chapa entenda-se, claro, um grupo de pessoas, alocadas nos respectivos cargos disponíveis estatutariamente, concorrendo coletivamente dentro de uma chapa. Depois disso - novos estatutos, nova diretoria eleita, por maioria absoluta de votos -, e só depois disso, poderemos voltar a participar, torcer, envolver, por e com um sindicato altaneiro e independente dos senhores do engenho.
O que sobrou do SNA teve quatro anos e dois meses para resolver o maior drama que atingiu a classe de aeronautas (e aeroviários) nos últimos 25 anos. Não conseguiu. Nem conseguirá. Porque preso e aparelhado pelos senhores do engenho, justamente aqueles que poderiam dar uma solução definitiva, fora dos limites jurídicos ou formais. Mas estes não querem. E só farão alguma coisa, se e quando:
1) Obrigados pela Justiça, esgotados todos os recursos legais ou nem tanto.
2) Pressionados e constrangidos pelas manifestações populares.
Quem poderia – teria a obrigação – mobilizar e galvanizar os milhares de prejudicados, optou (por obediência aos senhores) por “contatos”, manifestações de mentirinha, homenagens, votos de parabéns… bem ajudados por endeusado causídico cuja pilha se esgota às vezes e sabiamente recomenda cautela e caldo de galinha quando detecta qualquer dança diferente que venha da senzala.
Enfim, acreditar ainda nos embaixadores e prepostos do que está aí, é masoquismo. Mas, a cada um com cada qual.
Portanto, é legítimo, é biologicamente recomendável que os milhares de prejudicados por esse Instituto de Seguridade Social coonestado por uma Secretaria Oficial procurem novas formas e maneiras, caminhos e atalhos, organizações, até pessoas (se assim o entenderem) nas quais, eles, prejudicados, acreditem e construam. Em consequência, se unam em torno de! Tão simples quanto! Só ter coragem e vontade de participar, de fato, na e da luta – árdua, exposta e ingrata.
PS: Quanto ao “ódio” mencionado, inicial e distraidamente pensei no ódio, recíproco e retribuído, entre a TGV e o SNA. (Seria muito interessante e norteador pesquisar quem começou). Logo concluí que não era a esse ódio que se referiu o mensageiro. Qual, então?

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