segunda-feira, 16 de novembro de 2009

TRABALHADORES E APOSENTADOS VARIG/AERUS - INVERSÃO DE VALORES. Texto do Comissário Aposentado Varig Bolognese

TRABALHADORES & APOSENTADOS VARIG/AERUS - INVERSÃO DE VALORES

Há poucos dias, num texto, citei a frase do ditador Stálin: "A morte de um homem é uma tragédia; a morte de um milhão de homens é um dado estatístico", para ironizar a desculpa de um político, que em vez participar de uma reunião do interesse de trabalhadores e aposentados brasileiros - também contribuintes e eleitores - disse ter ido visitar um estrangeiro preso, que aguarda extradição por vários crimes cometidos em seu país. A ironia e a decepção por perceber o senso de valores e prioridades que anima a cabeça de certas figuras pagas por nós para assegurar (utopia, utopia), o bem do povo.

Infelizmente, esse senso de prioridades invertidas não contamina apenas indivíduos de relativo poder. Instituições também partilham dessa idéia de que o mérito está na cronologia, no calendário, na fila dos processos, e não no mérito ou valor moral da causa. Não parece fazer a mínima diferença que, para aumentar o número de inúteis e dispendiosos vereadores pelo país afora, os trabalhadores e aposentados da Varig/Aerus tenham mais uma vez de suportar a apreciação de sua justa causa, mais uma vez adiada. Ainda que fosse para reduzir o número de vereadores no país, o que, óbvia e ululantemente é o certo, mesmo assim mais alta corte da nação não poderia ignorar a urgência de tratar de uma situação que já podemos chamar de...., "de vida ou morte", visto que entre trabalhadores e aposentados da Varig, uns trezentos já não vão mais reclamar de nada. Podem ter deixado para trás, além de saudades, questões não resolvidas para seus familiares, mas para o govêrno, isso já é um alívio.

Igualmente, na trilha das iniquidades assacadas contra os trabalhadores e aposentados da Varig, estão as últimas desculpas indesculpáveis do tal grupo de trabalho da AGU, que agora vem com o argumento do "efeito multiplicador", caso se resolva a questão do Aerus, insinuando um possível efeito cascata de outras demandas semelhantes sobre o govêrno. Um efeito cascata, este sim, muito nocivo para nós trabalhadores e aposentados, resultado de decisões irresponsáveis sobre nossa previdência privada, nos inferniza a vida há quase quatro anos. Em contraste com qualquer "efeito multiplicador", paira sobre nós um efeito desagregador, que não multiplica e sim, subtrai a cada dia que passa, o direito que temos de viver com dignidade. Ademais, não tem cabimento e nenhuma base ética, insinuar-se que a uma causa legítima, caso seja atendida, seguir-se-ão outras desestabilizando as finanças do país.

O que desestabiliza um país, se entendido primordialmente como sociedade civil e não sómente seus entes "administrativos", são as decisões temerárias descoladas de consequências, despejadas geralmente sobre aquêles com pouca ou nenhuma força para se defender. Volto a um ponto no qual insistirei até o final dessa luta: Nenhum trabalhador ou aposentado é responsável pelo desmonte da Varig ou pela crise do Aerus. Somos apenas os que assumem o ônus.

Se os responsáveis por colocar um fim nesse sofrimento, estão esperando que aos 300 já falecidos, se juntem os que continuam lutando, estarão fazendo eco a outra frase do sinistro Josef Stálin: "A morte resolve todos os problemas. Nenhum homem, nenhum problema."

José Carlos Bolognese
Comissário aposentado Varig/Aerus
jcbwings@gmail.com

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